SINOPSE
Imagine-se um salão de baile. Daqueles antigos, com pouca luz. Talvez no Brasil. A banda entra. Três músicos: – um guitarrista, uma viola baixo, um baterista. Para grupo de baile, pouco comum reconheça-se.
A banda começa a tocar e começa o baile. Os dançarinos rodopiam alguns passos. E de repente, como que se um raio invisível atingisse o guitarrista, este começa a tocar como um músico de jazz. Improvisando, a mão esquerda desdobra-se em mil dedos. Os dançarinos param. E, extasiados, fixam-se no guitarrista escutando aquela música de mil acordes em simultâneo.
Algum tempo depois, o guitarrista e a banda voltam ao tema e, nesse instante, os dançarinos gritam em uníssono – Saravá!
Esta podia ser a sinopse de um filme. Não é. Foi um concerto de Joel Xavier.
Foi um pouco assim que o público sentiu o concerto com que Joel Xavier deu início à 8ª temporada das Cextas de Cultura. Um Salão de Baile sofisticado, em que os temas de sabor tropical, superiormente populares, se elaboram quando Joel improvisa. Aí a música não muda, apenas se transforma. Transforma-se em jazz. Jazz popular. Curiosamente como se regressasse às origens, quando o jazz era para dançar. E o novo disco de Joel que se chama “Saravá”, bem se podia chamar “Salão de Baile”.
Os créditos estão perfeitamente justificados. Joel Xavier é de facto um dos melhores guitarristas da actualidade.Não é só o virtuosismo. É muito mais. É a sensibilidade musical. É o bom gosto. É sobretudo a simplicidade da música.
Um dia, um dos maiores contrabaixistas da história do jazz americano, aquele que durante anos foi músico e amigo de Miles Davis, Ron Carter, enviou um e-mail a um jovem músico, depois de ouvir alguns temas que esse jovem lhe enviou. O texto dizia mais ou menos isto: “quando quer gravar comigo?” Não é qualquer um que grava com o Sr. Ron Carter. Só os simples. Os bons. O jovem era o Joel Xavier.